terça-feira, 1 de maio de 2018

Pirinéus - Dia 3 (1ª parte)


Dia 3 (13-04-2018 - 6ª feira 13) de Ainsa até Lourdes (Parte 1)

O dia não nasceu risonho, choveu toda a noite e de manha ainda havia chuva miudinha. 

O objetivo inicial era dirigirmo-nos a Viella e por aí atravessar a fronteira para França para ir na direcção do Col du Tourmalet mas, no Hotel disseram-nos que não havia necessidade de fazermos tantos quilómetros, podíamos atravessar o túnel em Bielsa e poupávamos cerca de 100kms. Vimos na Net as cameras de controlo de trânsito do túnel e dava para passar, estava o túnel aberto e já não era obrigatório o uso de correntes! Iniciamos a subida com a chuva a fazer-nos companhia, passamos no desvio para Nerin, o tal que nos devia ter levado ao Cañon del Añisclo… L Fica para outra vez!

Continuamos a subida e o que dantes era chuva transformou-se em neve, eu que tanto estou habituado a rolar em tempo seco como com chuva, para mim foi uma estreia a rolar na neve.
Devo admitir que não me cabia um feijão naquele sítio que vocês sabem, era eu que ia abrir a estrada e estava sempre com receio de a qualquer momento apanhar gelo na estrada! Chegamos à entrada do Túnel e estava semáforo vermelho, um túnel não é muito largo e quando passa um camião, o trânsito é interrompido no sentido contrário.

A travessia do Túnel é toda ela feita em subida e, quando chegamos ao outro lado estamos em França e num cenário completamente diferente. Muitos metros acima da outra extremidade do túnel e com tudo completamente branco, a única excepção era o preto do alcatrão!
Muito vento e um frio do caraças, começamos a descida e paramos uma ou duas curvas mais à frente para podermos apreciar a paisagem e aquele mar de Neve! Parecíamos putos de sorriso rasgado, foi espectacular! 


Continuamos a descida até chegarmos a Arreau, no posto de turismo disseram-nos que a estrada para o Tourmalet estava cortada, mas que podíamos ir ao Col D’Aspin, e assim fizemos.
A Chuva e a Neve tinham dado lugar a um Sol radioso e foi assim que fizemos a subida até ao topo do Col D’Aspin que, apesar de estar abaixo dos 1500m, foi suficiente para nos brindar com magníficas paisagens e curvas, muitas curvas… daquelas que só vemos nos vídeos do Youtube!
(não façam zoom na foto, o Nuno estava aflitinho!)

A descida também nada fica a dever à subida, e foram mais alguns quilómetros de curtição!
Seguíamos a caminho de Lourdes, local da dormida de hoje, e aparece a intersecção para o Tourmalet… nem pensei duas vezes, vamos ver até onde podemos ir!
Impressionante, estava num das subidas mais conhecidas do mundo ciclismo (outra das minhas paixões), aquelas curvas que eu praticamente conhecia de cor e salteado por as ter visto tantas e tantas vezes na TV. A verdade é que não estava a desiludir nem um bocadinho, e por cada quilometro que passava a esperança de que a estrada não estivesse cortada ia crescendo.
Curva e contra curva, cada vez com mais neve nas bermas e nos telhados das coberturas que cobrem algumas zonas da estrada, até que chegamos à Gare do Télépherique e foi aí que, a 4kms do topo, o meu sonho de chegar lá acima foi pela montanha abaixo. A estrada simplesmente desapareceu, demos de caras com uma parede de neve mais alta do que eu!




A neve caia com mais intensidade e não havia nada a fazer, só nos restava voltar para trás! L
Apesar de tudo, a manhã tinha sido fantástica e agora só nos faltavam algumas dezenas de quilómetros até Lourdes. Paramos no sopé da montanha, eram 13h (14h em França) e a barriga já dava sinais de fraqueza… todos os restaurantes estavam fechados, pelos vistos em França almoça-se muito cedo! Siga para Lourdes... (continua)

Pirenéus - Dia 2 (em imagens)































segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pirenéus - Dia 2


Dia 2 (12/04/2018) – de Sória até Nerin… ups, Ainsa!
O dia apresentava-se promissor, a chuva tinha ido embora e havia poucas nuvens!
Foi com muita vontade que iniciamos o 2ª dia da viagem, esperava-nos o Deserto de Bardenas Reales e finalmente os Pirenéus.

De Sória a Bardenas Reales são cerca de 100kms, uma distância curta que acabou por se mostrar longa… recebemos um telefonema a meio do percurso, era do Hotel Palazio em Nerin, onde estava previsto passarmos a noite, e as notícias não eram boas. Um forte nevão na noite anterior tinha cortado as estradas e só era possível lá chegar com correntes nas rodas (a minha BMW nem na transmissão tem corrente, quanto mais nas rodas J)…
… Roberto, o funcionário do Hotel prontificou-se a arranjar-nos uma solução, um Hotel numa zona mais baixa onde a neve não tivesse provocado estragos. E assim foi, que seguimos em direcção a Bardenas Reales com a dúvida se iriamos ter onde dormir.
À chegada, apercebemo-nos que a estrada por onde deveríamos seguir depois da visita estava cortada, pelos vistos tinha chovido muito e havia muitas estradas cortadas devido a inundações!!! Isto estava a correr bem…
Entramos na zona protegida, dirigimos-nos ao balcão de turismo para saber por onde podíamos passar com as motas, a resposta foi em nenhum lado… estava tudo inundado, mais de 50cm de agua, XIÇA!!!! Não dá para piorar?

Bem ainda não está tudo perdido, disseram-nos que podíamos ir até à zona do quartel (ponto onde começa a estrada circundante que era suposto fazermos) e lá fomos nós. Quando chegamos ao Quartel, não havia nada a indicar que não se podia passar e como bons Portugueses que somos, fizemos de conta e seguimos pela estrada “cortada”.
Ainda deu para fazer uns quilómetros, até termos dois Jipes da Policia em cima de nós a perguntar o que estávamos ali a fazer e que tínhamos que nos por a mexer imediatamente ou passavam-nos multas… vá lá, ainda deu para tirar umas fotos à pressa! J

Era suposto atravessarmos Bardenas pelo lado Sul, mas como a estrada estava cortada tivemos que seguir para Norte em direcção a Pamplona. Mesmo assim ainda deu para ir apreciando ao longe a grandiosidade do Deserto, será uma visita a repetir noutra altura.
A paragem para almoço foi em Tiebas uma pequena localidade a poucos quilómetros de Pamplona, desta vez quisemos evitar o erro do dia anterior e não entramos na grande cidade para almoçar. Lá como cá, é nos arrabaldes que se come melhor!

Entretanto chegavam boas noticias, Roberto, o homem do Hotel de Nerin tinha-nos arranjado outro hotel em Ainsa, uma localidade a Sul de Nerin mas uns bons metros abaixo na montanha!
Mas, ainda faltavam uns bons quilómetros para lá chegarmos. Seguimos pela N-240 em direcção a Jaca e as majestosas montanhas dos Pirineus começavam-se a mostrar à nossa esquerda, a paisagem era linda mas estava tudo muito branco, não era muito bom sinal!


Estava a ser um dia agridoce, com algumas más noticias, mas também com paisagens fantásticas e a moral do grupo que esteve quase a ir por agua abaixo, estava de novo a crescer. Até que… a cerca de 20kms de Jaca paramos para abastecer. Paro a mota e ouço um som nada agradável, um furo!!! Dasssss, a minha mota era a única com pneus tubeless e ia ser a primeira a furar? O dia podia ficar pior? Podia e ficou!
Apesar de eu levar comigo, kit de reparação de furos, spray tapa furos e compressor, nada disso nos ia servir, o furo não era furo, tinha sido a válvula que tinha rasgado! Sai um senhor do interior da bomba e diz-nos que para reparar só em Jaca e estávamos a 20 quilómetros de lá e a minha roda não conseguia segurar o ar lá dentro!
Tinhamos visto uns 500 metros antes da bomba uma oficina com tratores à porta e falamos disso, mas o homem da bomba disse-nos que só reparavam rodas de carro!
Mas, nada como tentar, afinal uma válvula é uma válvula podia ser que tivéssemos sorte no meio daquele azar!
O João foi lá perguntar se tinham válvulas e ligou-me pouco depois a dizer que tinham lá dois tipos, e que alguma havia de servir.
Saquei do compressor e enchi um pouco o meu pneu (na bomba de gasolina pagava-se 1,5€ para usar o ar) e lá fui ter com ele à oficina de tratores J.
Desmontamos a roda, trocamos a válvula e em menos de uma hora estávamos de novo na estrada. 3€ foi o valor que quase me estragava a viagem!


Toca a seguir caminha que ainda nos faltavam 90 quilómetros até Ainsa, mas aí a boa disposição reinava, a estrada era fantástica, estava seca e foi um prazer fazer aqueles 90kms.
Chegamos a Ainsa, fomos ao Hotel descarregar as malas e decidimos ir explorar um caminho que tínhamos visto meia dúzia de quilómetros antes de chegarmos!
Era um sítio fantástico, onde também era proibido passar com as motas mas nós… “flutuamos” até lá! J





Um pequeno rio de águas glaciares, com uma corrente fortíssima, uma ponte feita com cabos de aço e tabuas e um desfiladeiro que guiava o rio para as suas entranhas… LINDO!

De regresso ao Hotel, era hora do banhinho e do Jantar.
Depois do Jantar ainda deu para explorar um Castelo e algumas ruas da localidade. Os Espanhois são fantásticos na preservação da sua cultura e na forma com atraem o turismo, tudo muito bem cuidado e limpo!